sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A cirurgia de adenóide e amigdalas tem risco?

Essa é a pergunta feita frequentemente aos otorrinolaringologistas após a indicação de cirurgia para ressecção de adenóide e amigdalas. E a resposta não pode ser outra: "sim existem riscos".
Logicamente nenhum pai ou mãe gostaria de expor seu filho a uma situação potencialmente arriscada. Porém, quando se trata deste tipo de tratamento, é mais importante obter informações corretas acerca da cirurgia do que acreditar que trata-se apenas de uma intervenção banal.

Algumas potenciais complicações que podem ocorrer em uma cirurgia de amigdalas e adenóide são:

• Hemorragia
• Disfagia (dificuldade ao engolir)
• Odinofagia (dor ao engolir)
• Halitose
• Desidratação
• Edema (inchaço) da úvula
• Infecções locais
• Complicações anestésicas
• Vômitos
• Febre
• Otalgia (dor de ouvido)
• Alterações na voz
• Lesões nervosas cervicais
• Estenose nasofaríngea
• Subluxação atlanto-axial
• Fratura do côndilo mandibular
• Lesão da trompa de Eustáquio
• Trauma psicológico
• Apnéia central
• Insuficiência palatofaríngea
• Torcicolo refratário
• Edema facial

Como podemos perceber a lista não é pequena. Existem complicações leves e complicações mais severas, que podem até mesmo ser fatais. Porém, isso não quer dizer que elas vão ocorrer. A verdadeira questão não dever ser se existe risco e sim se este risco é alto ou não, assim como em qualquer cirurgia.

Obviamente podemos esperar dor e dificuldade para engolir no pós operatório, ocorrendo em graus variados, que são facilmente controlados com uso de medicações e que melhoram logo nos primeiros dias.
A hemorragia é esperada, de acordo com estatísticas norte americanas, em cerca de 0,5% a 5% das crianças submetidas à cirurgia, podendo ocorrer até 2 semanas após a cirurgia.
A complicação mais temida, o óbito, consequente à uma cirurgia de adenoamigdalectomia, é uma complicação raríssima. Em um estudo de Carmody e colaboradores, realizado no Reino Unido, o índice foi de apenas um óbito para 26.000 adenoamigdalectomias. Outro estudo publicado na revista Otolaryngology Head and Neck Surgery em 2001 afirma que a mortalidade atualmente gira ao redor de 1 em cada 35.000 casos.

Por outro lado, se observarmos os possíveis riscos de não realizar a cirurgia para uma criança com indicação cirúrgica clara, perceberemos que a lista de potenciais complicações é igualmente grande (assunto para outro texto). E as complicações da respiração bucal crônica e das infecções de repetição podem ser até mesmo mais graves.

Ou seja, se colocássemos em uma balança, de um lado os riscos da realização da cirurgia e de outro os riscos de permanecer com a doença, veríamos que a realização da cirurgia bem indicada é muito mais conveniente e segura para o paciente. Se não fosse assim não indicaríamos cirurgia...

De qualquer forma, nada substitui a prestação de informações adequadas pelo otorrinolaringologista ao paciente e seus familiares, a indicação correta da cirurgia, avaliação pré-operatória e pré-anestésica e a realização da cirurgia em uma instituição de saúde adequada e bem preparada. Assim, os riscos são minimizados e as taxas de sucesso e satisfação bastante elevadas.

Portanto, se o assunto é cirurgia de amigdalas ou adenóide, inicie com uma boa conversa com seu otorrinolaringologista.